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ENERGIA


Aquecimento Global e Energia são dois conceitos intimamente ligados, uma vez que o setor energético é responsável por mais de dois terços das emissões globais de gases com efeito de estufa (AIE, 2017). A energia é também um dos principais pilares da sociedade, satisfazendo a maioria das necessidades humanas (ex. Iluminação, comunicação, mobilidade, confeção de alimentos, produção industrial), sendo por isso determinante para o desenvolvimento económico. As tendências históricas mostram como este desenvolvimento tem vindo a ser profundamente associado ao consumo energético, com os países desenvolvidos a apresentarem valores elevados de consumo energético per capita. No entanto, nas últimas décadas temos assistido ao desacoplamento entre o consumo energético e o crescimento económico, devido a mudanças estruturais na economia, aumento de eficiência energética e alterações no uso de combustíveis.

Os impactes provocados pelo consumo de recursos e a as emissões associadas ao consumo de energia, justifica a sua redução em todas as atividades económicas, fomentando um desenvolvimento económico e social que seja sustentável, sendo para isso necessário um sistema de energia seguro e acessível, compatível com a proteção ambiental. O 7º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (Affordable and Clean Energy)“ Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderna, e a preço acessível para todos”, traduz esta necessidade. Os sistemas energéticos não sustentáveis originam problemas, como a depleção dos recursos naturais, poluição do ar com impactes no bem-estar humano e na economia. Para além disso, os recursos fósseis, como petróleo e gás natural não estão igualmente distribuídos entre regiões, com efeitos negativos diretos na procura de energia dos países importadores que acabam por estar vulneráveis ao acesso aos recursos, devido à instabilidade política de alguns dos países produtores.

Alterações socio-económicas e comportamentais, assim como a descarbonização do sistema energético através de tecnologias de baixo carbono e melhoria da eficiência energética, tem múltiplos benefícios, podendo simultaneamente dar resposta às alterações climáticas, melhorar a qualidade do ar, e fomentar a segurança energética através da promoção de um sistema energético mais sustentável com um portfólio tecnológico mais diversificado, resiliente e confiável.

A procura global de energia cresceu mais de 50% entre 1973 e 2015, suportada pelos combustíveis fósseis que representam mais de 81% do consumo de energia primária (IEA, 2017). Globalmente, se esta tendência continuar, as emissões de CO2 irão praticamente duplicar até 2050, levando a um aumento da temperatura média global de pelo menos 6°C, quando comparado com o nível pré-industrial.

Nos últimos anos Portugal tem vindo a implementar profundas alterações sociais e económicas, refletidas no sistema energético e respetivas emissões de GEE. Atualmente a política energética nacional assenta na racionalidade económica e na sustentabilidade, que se traduzem em medidas de eficiência energética, utilização de energia proveniente de fontes endógenas renováveis e a necessidade de reduzir custos (ADENE).

A dependência energética do exterior tem vindo a diminuir, sendo que entre 2000 e 2015 teve uma redução de 9%. Esta descida deve-se à aposta nas energias renováveis, que são desde há uns anos a principal componente do sistema eletroprodutor. Ainda assim, em 2015 o consumo de combustíveis fósseis representou 76%, um valor elevado, ainda que inferior ao consumo global mundial.

De um total de 20,1 GW de capacidade total instalada no país, 61% é referente a fontes renováveis de energia: a capacidade hídrica instalada é de 30%, seguido da eólica com 25% e da Eólica com 25% e do Gás Natural com 24% (DGEG, 2016).

Os setores com maiores consumos de energia são os transportes que em 2015 representaram 37%, a Industria, 31% e os edifícios, 29% do total. No entanto, em todos se tem verificado uma redução de consumo. Entre 2000 e 2015, a indústria reduziu 22% o seu consumo, os transportes 17% e os edifícios 15% (DGEG, 2016).

O papel do sistema energético é por isto, preponderante rumo à neutralidade carbónica.

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